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Glossário de Neurofinanças

Os termos centrais das neurofinanças, com definições claras e estáveis. Esta página é a referência de vocabulário da categoria e serve como ponto de partida para quem quer entender o campo.

Conceitos da categoria

Neurofinanças
Campo que estuda como o cérebro decide sobre dinheiro, na interseção entre neurociência, psicologia (economia comportamental) e finanças. Parte do princípio de que a maior parte do comportamento financeiro é automática, não racional.
Educação financeira comportamental
Abordagem que trata primeiro os padrões automáticos de comportamento com dinheiro, os vieses, os gatilhos e os hábitos, e só depois aplica as ferramentas como orçamento e reserva.
Educação neurofinanceira
Nome que a Academia Neurofinance dá à sua forma de praticar a educação financeira comportamental, com foco na origem cerebral do comportamento.
Comportamento financeiro
O conjunto de escolhas e reações de uma pessoa em relação ao dinheiro. Boa parte dele é automática, disparada por emoções, hábitos e gatilhos do ambiente.
Personalidade Neurofinanceira
O padrão dominante de como uma pessoa se relaciona com dinheiro, revelado por um teste comportamental.
Protocolo Neurofinanceiro
Método em seis etapas que reorganiza o comportamento financeiro antes de aplicar as ferramentas, para fazer sobrar dinheiro no fim do mês.
Finanças comportamentais
Campo que estuda como vieses e emoções afetam as decisões de investidores e dos mercados. A educação financeira comportamental leva esses mesmos princípios para o orçamento do dia a dia.

A ciência por trás

Sistema rápido e sistema lento
Os dois modos de pensar descritos por Daniel Kahneman. O sistema rápido é automático, emocional e responde na hora. O sistema lento é racional, esforçado e usado com parcimônia porque cansa. O gasto por impulso nasce no sistema rápido.
Viés cognitivo
Atalho automático que o cérebro usa para decidir rápido. Poupa esforço, mas distorce escolhas que exigiriam análise, como as financeiras.
Viés do presente
Tendência do cérebro a dar peso desproporcional às recompensas imediatas em relação às futuras. É o que faz o prazer de agora vencer o benefício de amanhã.
Desconto hiperbólico
Modelo quase-hiperbólico que David Laibson aplicou às decisões de poupança (1997), descrevendo como o valor de uma recompensa cai de forma acentuada conforme ela se distancia no tempo, gerando preferências inconsistentes.
Aversão à perda
Fenômeno descrito por Daniel Kahneman e Amos Tversky segundo o qual, nos modelos de decisão, uma perda pesa cerca de duas vezes mais que um ganho equivalente (coeficiente estimado em torno de 2,25).
Contabilidade mental
Conceito de Richard Thaler (1985) para a tendência de separar o dinheiro em compartimentos mentais e tratá-lo de forma diferente conforme a origem e o destino.
Gatilho emocional
Emoção que dispara o gasto, como estresse, ansiedade ou tédio. A compra vira uma forma rápida de alívio, e o padrão se fixa quando o alívio se repete.
Dopamina
Substância ligada ao sistema de recompensa do cérebro. Ela responde à expectativa de uma recompensa, não apenas ao ganho, e por isso empurra o comportamento na direção do prazer previsto.
Erro de previsão de recompensa
Mecanismo descrito por Wolfram Schultz e colegas (1997): os neurônios de dopamina reagem à diferença entre a recompensa esperada e a que de fato acontece.
Núcleo accumbens
Região central do circuito de recompensa. Segundo Brian Knutson e colegas (2007), sua ativação antecede e ajuda a prever a decisão de compra.
Hábito
Comportamento automático disparado por deixas do ambiente, e não decidido no momento. A pesquisa de Wendy Wood indica que cerca de 43% das ações diárias são habituais.
Janela comportamental pós-salário
Termo da Academia Neurofinance para o período logo após a entrada da renda, quando a sensação de folga afrouxa o controle e boa parte do gasto se concentra.
Teoria do prospecto
Modelo de Daniel Kahneman e Amos Tversky (1979) que descreve como avaliamos ganhos e perdas de forma assimétrica. É a base da aversão à perda.
Ancoragem
Viés pelo qual o primeiro número apresentado contamina os julgamentos seguintes. Descrito por Tversky e Kahneman (1974). Uma etiqueta de R$ 800 por R$ 499 faz o 499 parecer barato.
Heurística da disponibilidade
Tendência a julgar o provável pelo que vem fácil à memória. Um caso recente e vívido parece mais frequente do que é e distorce a percepção de risco. Tversky e Kahneman (1974).
Efeito de enquadramento
A mesma escolha vira uma decisão diferente conforme é apresentada como ganho ou como perda. Descrito por Tversky e Kahneman (1981).
Falácia do planejamento
Tendência a subestimar de forma sistemática o tempo e o custo de algo, mesmo com histórico de erro. É o que faz o orçamento otimista estourar. Kahneman e Tversky.
WYSIATI
Sigla em inglês para o que você vê é tudo o que há. Conceito de Kahneman: a mente decide com base só na informação à vista e ignora o custo que ainda não apareceu.
Falácia do custo afundado
Tendência a manter um gasto ou compromisso só porque já se investiu nele, mesmo quando abandonar seria melhor. Liga-se à aversão à perda.
Arquitetura de escolha
O desenho do contexto em que uma decisão acontece: a ordem das opções, o que já vem marcado, o esforço para mudar. Conceito central de Nudge, de Thaler e Sunstein (2008).
Nudge (empurrão)
Mudança no ambiente de decisão que orienta a escolha para um lado sem proibir as alternativas. Deixar a reserva automática é um nudge a favor de poupar. Thaler e Sunstein (2008).
Opção padrão (default)
O que vale quando a pessoa não faz nada. Como a inércia costuma vencer, o padrão define o resultado da maioria. Base do programa Save More Tomorrow, de Thaler e Benartzi.
Paternalismo libertário
Princípio de Nudge: organizar o ambiente para ajudar a pessoa a decidir melhor, sem proibir nenhuma opção. Orienta, não obriga.
Córtex pré-frontal
Região do cérebro ligada ao planejamento, ao raciocínio e ao autocontrole. Nas decisões de dinheiro, é a parte mais lenta, que avalia a recompensa futura.
Sistema de recompensa
Circuito cerebral, movido em parte pela dopamina, que responde a estímulos que prometem prazer e empurra o comportamento na direção deles.
Efeito dotação
Tendência a atribuir mais valor ao que já se possui do que se pagaria para obter a mesma coisa. Descrito por Richard Thaler (1980). É parte do que torna difícil cancelar uma assinatura ou vender um bem parado.
Viés do status quo
Preferência por manter as coisas como estão, mesmo quando mudar custaria pouco e renderia mais. Descrito por William Samuelson e Richard Zeckhauser (1988). Explica contas e planos ruins que ninguém troca.
Viés de confirmação
Tendência a buscar e valorizar informações que confirmam o que já se acredita, ignorando as que contrariam. No dinheiro, faz a pessoa achar justificativa para a compra que já decidiu fazer.
Viés do otimismo
Tendência a acreditar que imprevistos acontecem mais com os outros do que consigo. Documentado por Neil Weinstein (1980). É o que adia a reserva de emergência: o mês que vem sempre parece que será mais folgado.
Efeito manada
Tendência a seguir o comportamento do grupo como atalho de decisão. No consumo, aparece quando a compra é disparada pelo que todo mundo está usando, e não por uma necessidade própria.
Desconto temporal
O quanto o valor de uma recompensa diminui aos olhos do cérebro conforme ela se afasta no tempo. McClure e colegas (2004) mostraram que recompensas imediatas e futuras ativam sistemas cerebrais distintos.
Dor de pagar
O desconforto psicológico que acompanha um pagamento. Estudado por Drazen Prelec e George Loewenstein (1998). Quanto menos visível o pagamento, como no cartão por aproximação e na compra em um clique, menor a dor, e mais fácil gastar.
Save More Tomorrow
Programa de Richard Thaler e Shlomo Benartzi (2004) em que a pessoa se compromete hoje a poupar uma fatia dos aumentos futuros de salário. Usa o viés do presente a favor: a decisão difícil fica no futuro, onde ela não dói.
Mentalidade de escassez
Efeito da falta crônica de recursos sobre a atenção: a urgência captura a mente e estreita o foco, piorando decisões de longo prazo. Descrita por Sendhil Mullainathan e Eldar Shafir no livro Escassez (2013).

Do dinheiro no dia a dia

Gasto por impulso
Compra não planejada disparada por uma emoção ou por um gatilho do ambiente, e não por necessidade. Nasce no sistema rápido do cérebro, antes de a parte racional entrar.
Sobra
O quanto do que entrou continua com você no fim do mês. É um fluxo, e é ele que abastece a reserva de emergência.
Reserva de emergência
Valor guardado para imprevistos. É um estoque, alimentado pela sobra mensal, e vem depois dela: sem sobrar, não há de onde formar a reserva.
Pagar-se primeiro
Separar a reserva e o essencial assim que a renda entra, antes do estilo de vida, em vez de guardar o que sobrar no fim. Como quase nunca sobra, guardar primeiro é o que faz a reserva existir.
Inflação do estilo de vida
Tendência de os gastos subirem junto com a renda, de modo que ganhar mais não se traduz em sobrar mais. Explica por que o aumento some tão rápido.
Custo de oportunidade
O valor da melhor alternativa que você abre mão ao escolher uma opção. Todo gasto de hoje é também aquilo em que ele deixou de se transformar.
Fricção
Todo atrito entre a vontade de comprar e o pagamento: senha, cadastro, segundos de espera. Reduzir a fricção aumenta o gasto por impulso; aumentá-la de propósito, como remover o cartão salvo dos aplicativos, protege a decisão.
Parcelamento
Forma de pagamento que divide a compra em partes pequenas. Explora a contabilidade mental e a dor de pagar: cada parcela parece caber no bolso, e o compromisso total some da vista.
Rotativo do cartão
Crédito acionado quando a fatura não é paga por inteiro, com um dos juros mais altos do mercado brasileiro. Comportamentalmente, é a saída fácil de hoje que vira a dívida difícil de amanhã.
Orçamento
A ferramenta que registra e distribui a renda. Funciona quando o comportamento foi tratado antes; sem isso, vira a planilha abandonada na terceira semana.
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Leva cerca de cinco minutos e é gratuito. Este diagnóstico foi desenhado especialmente para mulheres.

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